Sobreviver não é consentir
Há algo profundamente contraditório na maneira como entendemos a violência. Em quase todos os cenários de risco, aprendemos que sobreviver é o mais importante. Diante de um assalto, por exemplo, a orientação é clara: não reagir, não confrontar, entregar o que for pedido. Essa atitude é vista como sensata, como uma escolha inteligente diante do perigo. Ninguém questiona a vítima por não ter lutado, ninguém sugere que a ausência de reação diminui a gravidade do crime. Mas quando a violência é sexual, essa lógica se rompe.